Renault revela a picape Niagara, modelo estratégico desenvolvido na América Latina para o plano futuREady
por Guilherme Sousa
Ao falarmos de picapes intermediárias, o primeiro nome a vir na memória é o da Fiat Toro. Mas, se escavarmos mais a fundo no tempo, há um modelo que iniciou o segmento e foi esquecido: Renault Oroch. Quando a italiana lançou a Toro, lembrei de uma publicação no Facebook da Renault dando as boas-vindas à novata, com o dizer "Não adianta bufar: a Duster Oroch chegou primeiro", com um touro na caçamba do produto francês. Só que, dez anos se passaram, e a Fiat Toro engoliu a Oroch. Para buscar o tempo e o espaço perdido, a Renault decidiu correr atrás do prejuízo e apresenta a Niagara.
Feita para a América Latina, a Renault Niagara é mais um dos quatorze produtos prometidos pela marca para mercados fora da Europa até 2030; segundo a própria Renault, os mercados preferenciais são Argentina, Brasil e Colômbia, que representariam uma grande fatia das vendas. O novo produto vem para combinar conforto, tecnologia e posição de dirigir dos SUVs C, como o irmão Boreal, no qual deriva, com a versatilidade e robustez das picapes, não importando se é para o trabalho ou para o lazer. É importante observar que a fabricação do modelo será concentrada em Santa Isabel, na Argentina.
"A Niagara é o primeiro pilar da estratégia futuREady e de nossa meta de lançar 14 novos modelos em mercados fora da Europa até 2030. A plataforma RGMP também servirá de base futuramente para uma motorização híbrida, contribuindo igualmente para nossa ambição de incluir 50% de modelos eletrificados em nossa gama internacional até 2030. Inteiramente projetada e fabricada na América Latina, a Niagara contém o DNA da marca Renault: linhas robustas e marcantes, um interior confortável com soluções de armazenagem inteligentes e tecnologias embarcadas dignas de um SUV, incluindo o sistema OpenR link com Google integrado. Gostaria de agradecer a toda a equipe Renault na América Latina por seu comprometimento coletivo com este projeto inspirador", reforça Fabrice Cambolive, CEO mundial da marca Renault.
O visual da Renault Niagara tem forte identidade, ao contrário da antecessora Oroch, que derivava do Duster. Na novidade, a frente apresenta um aspecto musculoso devido ao capô elevado, grade frontal verticalizada com o nome Renault em pixels cromados, para-choque integrado, mesmos faróis full-LED do Boreal, traseira com lanternas horizontais interligadas por uma faixa em preto brilhante e nome Niagara estampado em relevo, rodas de 17 ou 18", barras de teto funcionais e maçanetas das portas traseiras ligadas à coluna C. Sua caçamba com tampa retrátil integrada possui 938 litros de capacidade e carga útil de 654 kg. Mede 4,94 metros de comprimento (4,91 metros para versões 4x2) e 1,72 metro de altura.
"O projeto da Niagara tem tudo a ver com versatilidade. Este veículo vai além da ideia tradicional que uma picape é apenas um veículo pau pra toda obra. Ela também foi feita para ser um veículo estiloso e dirigido a uma clientela exclusiva", afirma Laurens van den Acker, vice-presidente de design do Renault Group. "Fiel ao DNA da marca, a Niagara oferece um grande espaço na traseira, combinado a soluções inteligentes de armazenagem no console central e atrás dos bancos traseiros: cada parte do interior foi otimizada. O design da cabine foi pensado nos mínimos detalhes, com a qualidade percebida e o conforto de um SUV", conclui.
Entrando na Niagara, a Renault tratou de dar o mesmo esmero feito no Boreal na nova picape, seja nos materiais de acabamento, no layout da cabine e no design como um todo. É o caso da alavanca do câmbio em formato joystick, do painel de instrumentos de 10,2 polegadas e da central multimídia OpenR Link de 10,1 polegadas com Google integrado e assistente Google Gemini em inteligência artificial generativa. No mais, a novidade da francesa possui compartimento porta-objetos de 36 litros atrás dos bancos traseiros, que é reclinável em até 25°, e iluminação interna configurável em até 48 cores.
Do Boreal, a Niagara herda igualmente o motor TCe 1.3 turboflex com injeção direta, mas para atender novas normas de emissões, perdeu um pouco da potência que tinha. Agora são 156 cavalos com gasolina e 160 cavalos com etanol, mantendo os 27,5 kgfm de torque de antes. Quanto aos câmbios, virá com opção manual de seis marchas na opção de entrada, enquanto que as outras versões ficará com o automatizado EDC de dupla embreagem a óleo, também de seis marchas, este com seletor de marchas eletrônico (e-shifter).
Se tem algo que a Oroch não tinha para nós e a Niagara passará a ter, é a tração nas quatro rodas. Controlada por um botão giratório na base do console central, este sistema de controle ergonômico e intuitivo permite que o usuário selecione diferentes modos de condução: Eco, Conforto, Esportivo, Inteligente, Lama-Areia e Off-Road (Eco, Comfort, Sport, Smart, MySense e Terrain).
Para cada modo de condução, a distribuição da tração entre os eixos dianteiro e traseiro é calculada automaticamente, com base na aderência disponível. Sob condições normais, a potência é transmitida exclusivamente para as rodas dianteiras. Se o veículo começar a perder aderência ou quando a tração atingir o seu pico, parte do torque é transferido automaticamente para o eixo traseiro.
Em situações mais exigentes, o torque é distribuído de forma equilibrada entre os eixos dianteiro e traseiro. Esta distribuição é gerenciada pelo módulo de transmissão traseiro, associado a uma engrenagem eletromagnética multidisco.
"A Niagara oferece o melhor de dois mundos: das picapes e dos SUVs. No mercado de picapes, ela se destaca de outros veículos pelas suas forças-chave, como o design marcante, o sistema OpenR Link integrado com Google Gemini – único neste mercado – o melhor espaço na traseira da categoria e inovações únicas, como a área de armazenagem adicional atrás dos bancos traseiros e o revestimento de proteção para a caçamba", pondera Jan Ptacek, diretor da Unidade de Negócios LCV da Renault.
"Além disso, a Niagara oferece todos os itens essenciais de uma picape, com a melhor capacidade de reboque da categoria de 710 kg, capacidade de carga superior a 900 litros e tração 4x4 para os terrenos mais desafiadores. Com a Niagara, estamos expandindo nossa gama de veículos e fortalecendo nossa presença na América Latina, um mercado historicamente estratégico para a Renault", conclui o executivo.
Ao fim e ao cabo, a chegada da Renault Niagara servirá para contrabalancear o poderio que a Fiat Toro impôs no segmento de picapes intermediárias. Prevista para chegar às concessionárias da marca em novembro, a caminhonete será ofertada previamente em quatro opções (Evolution, Techno, Iconic e Outsider 4x4), e tem a previsão de uma versão híbrida no próximo ano. Sua maior arma é a tração 4x4, coisa que a Oroch tinha apenas para a Argentina, e a Toro possui somente com motor a diesel. Moderna, a francesa quer berrar mais alto que sua maior concorrente, bem datada.

































