TESTE: Nissan Frontier Attack: de entrada, porém braba

por Guilherme Sousa
Picapes são, em sua maioria, veículos voltados ora para o trabalho, ora para o uso diário. As opções são bem variadas, com cada modelo disputando a preferência do consumidor, que terá a palavra final, de acordo com o bolso. Desde sua chegada ao Brasil, a Nissan tem uma para chamar de sua: a Frontier. Mas desde que chegou, tem ganhado clientes cativos pelos mais variados predicados, mesmo que suas vendas nunca estejam num patamar de protagonista.
Por um período de sete dias de março de 2026, Ver-o-Carro voltou a avaliar a Nissan Frontier agora na versão de entrada Attack, numa concessão feita pela comunicação da Nissan (agradecimentos à Fagner Oliveira e Rogério Louro), com o apoio da concessionária Tropical. A atual geração, apresentada em 2017, sofreu uma reestilização substancial em 2022, recebendo novos itens de segurança ativa e passiva. A Nissan Frontier Attack mede 5,26 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,85 m de altura e 3,15 m de entre-eixos, sem esquecer dos bons ângulos de 31,4° de ataque e 25,8° de saída, mais a altura do solo de 24,9 cm.
Quem move a picape média japonesa é o motor 2.3 biturbodiesel de 190 cavalos de potência e 45,9 kgfm de torque, e está em associação ao câmbio automático de sete marchas. Para uma tocada esportiva, tem o modo Sport, a ser acionado via seletor D-mode, posicionado atrás da alavanca do câmbio. A suspensão da caminhonete recebe nossos elogios pela grande capacidade de proporcionar conforto a bordo. Independente na dianteira e multi-link na traseira, ambas por molas helicoidais, não deixam o modelo japonês quicar no solo irregular. E mais: os freios são a disco em todas as quatro rodas!
Entre tantos equipamentos, a Nissan Frontier Attack (a unidade testada ainda é ano 2024/2025) agrega ar-condicionado manual, revestimento dos bancos em tecido, assistente inteligente de frenagem, alerta avançado de colisão frontal, central multimídia de 8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay com fio, painel de instrumentos com tela colorida central, tração 4x4 com reduzida, detalhes visuais específicos da versão, santantônio, faróis halógenos, rodas de liga-leve aro 17 escurecida, chave canivete, entre outros.
Neste meu convívio de uma semana, a capacidade do modelo foi posta à prova. Logo no primeiro dia, Marituba, município da região metropolitana de Belém, onde este escriba reside, foi devastada por uma forte tempestade (minha solidariedade aos atingidos), o suficiente para a prefeitura decretar calamidade pública. Feito isto, a estrada de acesso ao bairro onde moro foi inundada, e em meio a restrição de tráfego, decidi meter a Frontier no alagamento, engatando a tração 4x4 no modo reduzida.
Fiquei receoso em o motor dela dar calço hidráulico e com os veículos que vinham no sentido oposto, criando “banzeiro”, mas sua capacidade de imersão em até 70 centímetros fez dela uma valente na situação mais adversa que já encarei. No dia seguinte, usei a picape para levar, na caçamba, donativos aos desabrigados.
Outro incidente foi a perda do pneu dianteiro direito, rasgado pela sucata de um ônibus desmanchado, após uma manobra de marcha a ré no acostamento da rodovia BR-316. Lógico que bateu o desespero, porque nunca aconteceu nada do gênero em todos os testes avaliativos realizados até aqui. Procurando os colegas da comunicação da Nissan, fui aconselhado a acionar o socorro mecânico, que levou apenas 50 minutos para vir e realizar a troca do pneu por um estepe, cujas medidas são as mesmas dos demais pneus, mas utiliza uma roda de ferro. Pulada esta fogueira, segui viagem, mais aliviado.

CONCLUSÃO
Encerrado o período e rodando 591,7 km, e devolvendo-o a um motorista da transportadora responsável pela logística da marca, pois iria ser embarcada imediatamente a outro destino, despeço da Nissan Frontier Attack dando o veredito de APROVADA, com bastante sobra. A unidade testada tem preço sugerido de R$ 277.590, mas teve acréscimo de R$ 1.950 por ter sido pintada na cor Cinza Grafite.

Sem dúvidas, meu convívio com ela foi o mais desafiador de todos, mas ela soube se portar como uma autêntica caminhonete: cheia de valentia, e pronta para topar qualquer parada. E se quiser ter uma, a hora de comprar é agora: descontos generosos podem ser encontrados nas concessionárias nas unidades ano 2026, visto que há conversas de fim da produção da Frontier no México, de onde vem.

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FICHA TÉCNICA – NISSAN FRONTIER ATTACK
Motor: 2.3 biturbodiesel
Potência: 190 cv
Torque: 45,9 kgfm (450 Nm)
Câmbio: Automático de sete marchas
Combustível: Diesel
Consumo: 8,6 km/l
0-100 km/h: 11,3 s
Velocidade máxima: 180 km/h
Tração: 4x4 com reduzida
Direção: Hidráulica
Suspensão dianteira: Independente, braços sobrepostos, com molas helicoidais
Suspensão traseira: Multi-link, com molas helicoidais
Comprimento: 5,26 m
Largura: 1,85 m
Altura: 1,85 m
Distância entre-eixos: 3,15 m
Volume do porta-malas: 1.054 litros
Rodas: 7”x17” – liga-leve
Pneus: 255/65 R17
Capacidade de carga: 1.029 kg

REVISÕES*
10.000 km: R$ 1.434,00
20.000 km: R$ 2.154,00
30.000 km: R$ 2.433,00
40.000 km: R$ 2.052,00
50.000 km: R$ 1.416,00
60.000 km: R$ 2.904,00

*Preços fixos sugeridos pela montadora, com intervalos de um ano ou 10.000 km para cada revisão, o que ocorrer primeiro.